Orbitando

não é dor de fome, de quem se queima, de quem perde um filho, de quem tem um transtorno psíquico, de quem tem frio, de quem não tem um teto pra morrer ou de quem é estuprado; mas ainda é dor. uma dor que tenta passar calada para não ser condenada pelas outras dores, dor que uma hora vaza pelos buracos do corpo, que não floresce e só empesteia. não há outro lugar pra ir a não ser para fora: por dentro já fincaram-se raízes silenciosas que denunciam o sujeito como fresco, fraco, sem controle, passivo e manipulável.

diferenças que distanciam e boas situações que estão escondidas.

abraço de amigo amante: os indivíduos envolvem-se de companheirismo, uma ampulheta de paixão (presente por seu potencial variável) e uma dosagem imensurável do que for considerado amor. geralmente os olhos encontram-se fechados para intensificar o sabor.

“De todos os loucos do mundo eu quis você.”

seria bom: participar (não nos isolar).

estranho: saber da tua vida mas participar pela telinha; na surdina.

“Ele beijou minha ‘cidade das jóias’. Descargas figurativas no plexo solar. Deu uns cinco beijos em meio as dez pétalas e o fogo. Energizou-me, despertando minha vontade de ter o imediato.”

procuro, então, nesse fim de mês de fevereiro, o assassinato desse ritmo exageradamente acelerado, o saborear da linguagem, a ausência de disforias e o contato de quem eu quero amar.

tô gostando mais de vento do que mim mesmo.

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