Orbitando
Quase um morcego. (Publicado com o Instagram)

os dias passam tão rapidamente Sarinha
já vai fazer outro mês (talvez)
já lhe escrevi três cartas mas não mandei nenhuma
o que há?
preciso dar uma descansada
preciso daquela deitada pra olhar o céu
só olhar o céu
de um sossego
“bolero amanhecido”
vento, sino dos ventos
sossego de gente sossegada.
Imagine que estou desenhando uma flor nas suas costas. Vai virar um abraço.

um suspiro rápido
porque o tempo nunca parou quando eu quis 

"When I take a long look at my life, as though from outside, it does not appear particularly happy. Yet I am even less justified in calling it unhappy, despite all its mistakes. After all, it is foolish to keep probing for happiness or unhappiness, for it seems to me it would be hard to exchange the unhappiest days of my life for all the happy ones. If what matters in a person’s existence is to accept the inevitable consciously, to taste the good and bad to the full and to make for oneself a more individual, unaccidental and inward destiny alongside one’s external fate, then my life has been neither empty nor worthless. Even if, as it is decreed by the gods, fate has inexorably trod over my external existence as it does with everyone, my inner life has been of my own making . I deserve its sweetness and bitterness and accept full responsibility for it."

Hermann Hesse, Gertrude

(Source: psychotherapy, via hellbenthellyeah)

A cabeça ficou aos pés da cama e nenhum estranhamento alheio me incomodou. A garganta raspa.

E esse sono que me deixa deprê? Café não faz passar e tempo pra matar não tem como ter. Ele me deixa tapado o dia todo.

Um aviso amanhecido: não sou arte.

Mistura de âmbito único, cercada e oprimida por um dilema estrondoso. Sim ou não.

Ia dizer que estou confuso mas a palavra não é esta. Não é algo que se pode tomar uma decisão definitiva. É pra ser sentido lá dentro (mesmo havendo a decisão válida de dizer não).

Eu e a Giullya fugíamos. Logo após o fim da cidade de terra, entrava-se um campo completamente acimentado. Árvores estavam fincadas no cimento. Todas em fileiras. Pedalávamos com vigor, querendo fugir dali. O céu estava cinza e o lugar era quente demais. Ia chover. Vapor. Eu estava sozinho na casa da minha avó paterna. A geladeira estava aberta e lotada de copos plásticos cheios de arroz até a boca. Sai para o quintal e um gato desfigurado pulou em cima de mim. Eu sentia o pêlo e o sangue, meu e do gato. Eu o lançava pra casa da vizinha mas ele voltava pra rasgar minha perna. O gato virou um bicho estranho, perigoso. Ouvi um barulho de bicicleta se espatifando no chão.

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