Orbitando

Eu sonhei com manequins de cabelo de samambaia. A cara era desgastada, o sorriso vazio e os cabelos caiam verdes para todos os lados. Quem estava na chácara corria de branco. Alguns usavam roupa íntima de renda vermelha.

vi criança dançando pior que bêbado
tem gente que bebe só pra dançar feito criança
(com a desculpa de estar bêbado) 

Ele desceu do carro pra me abraçar. Apertou gostoso.

Joguei o estagnado pulando de cabeça.

Hoje me representarei como algo. Serei uma espécie de pedra articulada na boca de quem fala bonito. “Colocada”, bem naquele “co” que soa cristalino. Amanhã espero estar vivo.

10 de Setembro, 2010 - 13h30

“Te matei. Te enterrei, levei até flores no seu túmulo. Chorei, foi uma morte lenta, dolorosa. Mas que só doeu em mim. Não me pergunte por que fiz isso. Fiz pois tinha de ser feito. Foi como terminar com a noite para que o dia chegasse. Te assassinei pois tinha fome de vida. Tinha ânsia de felicidade. Chorei, mas agora posso sorrir. Foi simples assim. Não, na verdade foi difícil. E ainda espero poder sorrir.

Não tinha sangue em minhas mãos, mas mesmo assim lavei cuidadosamente cada pedaço de unha em meus dedos. Por outro lado não fiz questão de apagar as provas deste crime. Expulsei sua alma da minha sala. Rasguei nossas fotos. Bebi nossas cervejas. Agora me resta apenas alguns dias de luto e um maço de cigarros. 

Te matei dentro mim, e só agora posso viver.”

Maria Marta Duarte (http://syn-esthesia.tumblr.com/)

limpemos as fronhas
o leito está sujo
e o corpo quente
tronco a tronco
nas minhas costas, em cima: é um proteger sincero
seus erros no meu ouvido
(erros e urros)
tua boca me marcando
“o desejo que consome”
na movimentação
com ar
a música de corpos que queimam lençóis
(lançando roupas na órbita)
as notas da música
são as mãos se apertando, os olhos tremendo
o hálito batendo no corpo
(não decoro essas melodias)
quando você vier
faremos mais música
sem ou com lirismo
sem rima
sem aviso
um dia desses, faremos mais música

Não é poesia. São pedacinhos de mim. É jogar por aí, ver e lembrar.

puxão na orelha
“why?”
“who, me?”
é bossa nova com vontade de ver café dançando
de ver amigos dançando
na piscina
na terra
e na grama

“met-moi dans votre bouche”
errado
bagunçado
confusão azulada
(nova)
dá pra achar que só tô jogando palavra
mas peguei na tua mão
(e ela estava quente) 

pukingthoughts:

quando cospem na cara de outro
pensam na superioridade
mas pensam enquanto vomitam bosta pela boca
apontam dedos que derramam sangue
e usam palavras para matar
matar com tiro na cara

porque homem é homem
e sendo “ruim” ou não
tem que morrer
porque é assim que gira o globo
é assim que a gente se conforma

a gente lê
lê texto e lê fato
mas lê conformado
deixando virar história
moeda
sangue seco
e paredes altas demais 

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